Aprendi há pouco tempo que a verdadeira vida aparece quando você se re-parte. Fragmenta-se...
É muito raro você encontrar uma pessoa que esteja ou que se considere inteira. As que me parecem são as mais partidas, as que se consideram ainda não se partiram...
A cada experiência vivida uma parte minha se descola e fico com um pedaço da outra pessoa grudada na minha alma. São memórias nostálgicas... gostosas... outras nem tanto mas... são fragmentos deliciosamente eternos.
Alguns, com o passar dos anos, podem até se apagar sozinhos, outros, permanecem tatuados. Surgindo de tempo em tempo e trazidos à superfície por uma música, cheiro ou sabor...
Acabo sempre citando um ou outro amigo... são os meus pedaços...
Um amigo uma vez me disse que a cada experiência vivida o coração adquire uma cicatriz e que ele gostaria de um dia olhar pro seu e poder ver que não sobrou espaço livre.
Eu faço essa comparação com os fragmentos... a cada pedaço "doado" eu adquiro um "emprestado" e, acabo por, finalmente, ficar inteira. Uma constante e inteira colcha de retalhos...
Nostalgicamente falando: meu pai dizia que uma mulher só está realmente madura aos 30 anos de idade... até pouco tempo atrás eu concordava com isso em vários aspectos. Hoje eu vejo que fico um pouco menos imatura à medida que me distribuo rsrs! Estranho e coerente...
A pessoa que nós mostramos é bem diferente da camada que surge com o tempo. Sai uma casca e aparece outra por baixo bem mais verdadeira.
No início é um desfile de aptidões... páginas curriculares perfeitas! Com o passar do tempo... daí começa a ficar bom e real... sai o verniz e entra o lustra-móveis! Quando sai uma bela lasca ... surge então a humanidade e até o amor. Caso tenha coragem pra essa entrega... e sorte!
Sabe aqueles dias em que você acorda um esboço? São os melhores! Mais humanidade impossível! Altamente nostálgicos, esses momentos imantam os pedaços soltos... e nesses dias eu vejo a verdadeira Ana surgir! Com traços que irritariam a mim mesma, com sorrisos que me alegrariam, com mau humor característico, com auto-crítica inerente, com suavidade inspiradora, com abraços aconchegantes e quentes, com beijos que não me deixam respirar...Todos os fragmentos... unidos desta vez!
Prefiro me colar assim...